quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O dia que mudou a minha vida



Acordei com o sol a aquecer-me a cara...
O céu, estava um pouco nublado e duvidoso, o sol parecia confuso, por vezes escondia-se atrás de uma nuvem como uma criança envergonhada, por outro mostrava-se como um valente pirata.
Então voltei à minha realidade...
Hoje é o dia que a minha vida vai mudar completamente, porque será a minha operação, sim... eu estou num quarto de hospital e serei hoje operada ao coração...
       Quando me disseram há uns meses atrás que o meu coração estava fraco, não consegui acreditar...
Sentia-me tão forte e capaz de tudo, e dizia-me que o coração que tenho no peito estava fraco?! Eu bem sabia que o meu órgão que bombeava sangue estava a funcionar e bem demais! Tantas eram as vezes que sentia o coração a exercer o seu trabalho nas horas e momentos que tinha de apresentar o trabalho de Filosofia em frente da turma. Eu bem tentava acalmar os nervos que me cresciam desde os pés à cabeça, mas este coração doente (como dizem) fazia-me sempre corar e parecer o extintor da sala...
        Olhei para o relógio barulhento, de um branco sujo, que estava pendurado na parede do quarto em que estou internada à um mês.
"Quanto tempo me restará?" - pensava enquanto olhava para aquele relógio que não me deixava dormir de noite.
Eu olhava fixamente para o relógio, mas não sabia que horas ele marcava, com os seus ponteiros negros, não queria saber que horas eram, só queria ouvir o ponteiro dos segundos, mas mal conseguia ouvir o barulho que à noite era tão irritante, pois do lado de fora do meu quarto ouvia-se macas já velhas a ranger, médicos e enfermeiros a trabalhar com afinco, outros, nem tanto e por vezes ouvia-se alguns desses médicos e enfermeiros a combinar no que fariam a seguir ao turno deles.
E eu... a concentrar-me, ou a tentar fazê-lo, no barulho do relógio branco sujo, da minha prisão de pensamentos.
Desde que entrei neste quarto de hospital, e fiquei aqui, durante um mês, eu nunca mais sonhei, nem acordada nem quando dormia, já não tinha objetivos, nem sonhos... Também já não sorria... As únicas coisas que eu agora fazia era pensar em quanto tempo me restava. 
Neste momento, a minha mãe entrou no quarto com um grande sorriso no rosto.
Ela cumprimentou-me com um beijo na testa  e falou-me sobre a semana dela. O meu pai estava a trabalhar, como sempre, desde que eu vim para este quarto de hospital, ele ainda não me visitou, mas eu já estou habituada a viver só com a minha mãe.
-Achas que vou sobreviver? - não sei porque fiz esta pergunta, o meu cérebro fez com que saísse de forma verbal. A minha mãe estava atónita a olhar para mim, parecia que tinha visto um fantasma ou uma alma penada.
Quando a minha mãe ia falar, talvez para responder à minha pergunta, o médico que está responsável pelo meu caso, entrou.
É um homem alto e velho, tem já os seus setenta ou oitenta anos, nota-se o grande amor que tem ao seu trabalho e dedica-se a cem por cento a todos os seus pacientes e aos seus casos.
O médico tinha vindo anunciar que era hora de começar o procedimento pré-operação.
Recebi a anestesia, senti o meu corpo a ficar imóvel mas continuava acordada, eu sabia que não era normal, pois deveria adormecer, o meu cérebro lutava contra a anestesia e não me deixava fechar os olhos. Via todos os médicos junto à minha cama, já os via desfocados, mas conseguia ouvir as suas exclamações de surpresa pelo meu corpo estar a conseguir combatê-la durante tanto tempo.
Entrei no bloco. Lembro-me apenas de ter pouca luz e essa era de um azul escuro.
Antes de finalmente adormecer, pensei que quando fechasse os olhos não os voltaria a abrir, depois senti uma luz forte na cara e logo adormeci.
Voltei a abrir os olhos, já estava no meu quarto, a minha mãe não estava lá.
Mil pensamentos percorreram o meu cérebro.
Sacudi a cabeça rapidamente como se assim os pensamentos fossem projetados para longe.
Olhei, pela centésima vez hoje, para o relógio do quarto de hospital, desde a operação tinham passado cerca de oito horas.
Estarei bem agora? Será que me darão a notícia de que o meu coração ainda está doente?
Sentir-me-ei forte na mesma como antes, mesmo quando diziam que o meu coração estava fraco?
Estava a pensar em mais mil e uma perguntas quando uma se destacou mais na minha mente.
"Estarei na Terra ou no Céu? Terei morrido e os quartos no céu são assim?"
Neste instante, o médico e a minha mãe entraram no quarto, interrompendo os meus pensamentos macabros.
Disseram, especialmente o médico, que tinha corrido tudo bem, voltaram a sair e eu tentei voltar aos meus pensamentos, mas mais descansada.
Amanhã, e nos próximos dias ficarei aqui, depois irei para casa e só daqui a quase dois meses é que poderei voltar ao colégio...
Que saudades da minha casa, do meu quarto...
Nunca pensei sequer pensar nisto mas também tenho uma certa saudade da escola...
Adormeço... 
No meio do sono oiço a minha mãe a falar ao telemóvel, ela chorava e culpava o meu pai de ele não ser próximo da família e dar mais importância ao trabalho. Ela também diz que agora é tarde e que não pôde sequer despedir-se pois estava a trabalhar.
Só neste instante, percebo que não adormeci nem que durmo pois não consigo abrir os olhos. Uma lágrima ainda consegue escorrer da minha cara e oiço um enfermeiro a falar com o médico que era responsável pelo meu caso.
-Hora do óbito, duas e trinta e sete da manhã.
Ouve silêncio durante um tempo. O último som que oiço antes de adormecer de vez é o choro do meu pai ao pé da minha cama com uma mistura de falta de fôlego, parecendo que correu... Não interessa...
Fechei os olhos com força, sinto um choque no coração recém-tratado e desapareço para sempre...
Afinal, este dia mudou mesmo a minha vida...

Ema Gomes, Nº 6


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Comentário - "A Aia" de Eça de Queirós



A atitude da Aia é louvável, pois sacrificou a vida do seu filho para salvar o principezinho, de quem era serva leal.
            A Aia revelou ser uma pessoa de grande carácter por ter sacrificado o filho. Considero ainda que a Aia é psicologicamente muito forte e com uma grande nobreza de alma. Não é qualquer pessoa que conseguiria ter uma atitude com esta dimensão, visto a Aia ter colocado a lealdade acima do seu papel de mãe, levando o seu filho à morte, involuntariamente, para salvar o príncipe de uma cilada.
 Em suma, a fidelidade da Aia não tem limites, visto ela não querer qualquer recompensa material, apenas quis juntar-se ao seu filho, espetando-a em si.


Vasco Gomes, Nº 21

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Poesia



Ser Criança

-Ser criança é ser mágico,
princesa, policia,
pirata e tudo o que queremos ser,
tudo o que imaginamos,
pensamos e desejamos …
-Ser criança é adorar e ser adorado,
Por tudo e por todos …
-Ser criança é aprender, amar,
Crescer e respeitar …
-Ser criança e brincar,
 até não poder mais,
chatear toda a gente …
-Enfim ser criança é …
Ser Feliz

Hugo Morgadinho, Nº9

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Texto de opinião



Todos nós temos altos e baixos nas nossas vidas. Nem tudo é  fácil… nem tudo corre tão bem como tínhamos planeado. E, quando menos esperamos, depressa levamos com uma desilusão!
  Devemos sempre encarar a vida com cabeça erguida, independentemente das mágoas, das tristezas e de tudo o que possa acontecer… que seja mau.
   Mesmo que estejas desamparado… que penses que estás sozinho/a neste mundo, lembra-te: Todos podem desistir de ti… mas há sempre alguém que não desiste… tu próprio!
   Devemos encarar a vida sempre com um sorriso na cara e cabeça erguida! Caíste? Magoaste-te? Caíram lágrimas? Levanta-te, cura a ferida, limpa essa cara e continua ! O caminho é para a frente. Valoriza-te! Não desistas, nos piores dias. Dias melhores estão para vir.
  A vida são dois dias e um já passou.  

Mafalda Gomes, Nº 14

segunda-feira, 9 de maio de 2016

"O GRITO" de Roald Dahl



O grito
         Depois de estar tudo meio resolvido, o que era estranho porque Klausner não gosta de deixar nada a meio, pois era o género de pessoa que detestava deixar assuntos pendentes, aquele tipo de pessoas que era capaz de abrir uma guerra só para levar a cabo os seus ideais. Klausner voltou para junto da pequena e redonda mesa que se encontrava junto de um enorme móvel cheio de objetos que só mesmo a Klausner interessavam. Abstraído Klausner procurava encontrar uma maneira para a sua vizinha, uma mulher descomplicada geralmente e sobretudo requintada e vistosa, acreditar nele. As horas passavam e foi quando Klausner decidiu ir calmamente ir falar com a sua vizinha.

- Sra. Saunders. – Gritou Klausner enquanto batia à porta.

- Sim, quem é? – Perguntou Saunders.

- O seu vizinho, Klausner.

     Abriu a porta ainda assustada e deixou o vizinho entrar. Klausner e Saunders conversaram calmamente e no desfecho tudo acabou bem.


Inês Pinto, Nº8